Hoje é sábado.
O sábado sempre foi um dia especial para mim. Na infância, havia cheiro de pão quentinho, recém-assado, no ar; cheiro de bolo (tabuleiro grande) com a massa que só a mamãe sabe fazer; cheiro de casa recém-limpa (empenho na faxina da sexta) e cheiro de família reunida.
Isso e muito mais é o sábado para mim.
(...)
Meus pais sempre trabalharam muito. Durante a semana, a rotina era tensa. Me lembro de ouvir meu pai abrindo a porta de casa devagarinho (para não incomodar os vizinhos), de madrugada (por volta das 4:30hs, às vezes mais, às vezes menos) para ir para o trabalho. Lá pelas 6:00h, vinha nos acordar. (Seu local de trabalho era no primeiro andar do sobradinho onde morávamos).
Meus pais sempre trabalharam muito. Durante a semana, a rotina era tensa. Me lembro de ouvir meu pai abrindo a porta de casa devagarinho (para não incomodar os vizinhos), de madrugada (por volta das 4:30hs, às vezes mais, às vezes menos) para ir para o trabalho. Lá pelas 6:00h, vinha nos acordar. (Seu local de trabalho era no primeiro andar do sobradinho onde morávamos).
-“Ai pai, só mais 5 minutinhos..” era a cantiga das duas irmãs.
- “Sem choro e nem vela! Quem madruga Deus ajuda! E o sinal da escola não vai parar para esperar vocês duas!” era o que ouvíamos em repetição.
Não fosse a proximidade do trabalho da casa, não os veríamos tanto. À noite, durante a semana, com frequência, descíamos, ou para ajudar em alguma tarefa, ou por medo do escuro, ou por saudade deles...
Trabalhavam até tarde, todos os dias.
Todos os dias não, tínhamos a sexta-feira!
Nas sextas-feiras, a rotina era diferente. Papai ainda acordava de madrugada, mas dessa vez para fazer a feira. Trazia um saco cheio de coisas. Já era a compra da próxima semana.
Mamãe, que também madrugava, já estava a limpar e organizar os detalhes da casa (quase não tinha tempo para isso em outros dias). Era roupa para colocar me ordem, era geladeira para organizar (afinal, a geladeira logo, logo receberia frutas e verduras frescas de novo).
Além disso, o pesado era papai quem fazia. Colocava todas as cadeiras de pernas para o ar, e sôfrego e agitado (em minha vívida memória, ainda posso ver o rio de suor que descia em seu corpo forte e musculoso) ia passando pano aqui, jogando água ali.
A parceria entre eles era comum, já que trabalhavam juntos o tempo todo, em tudo!
A parceria entre eles era comum, já que trabalhavam juntos o tempo todo, em tudo!
Quando a tarde ia chegando, o dia escurecendo, lembro-me da casa tão cheirosa! Ele se orgulhava e dizia :
_”Na casa limpinha, o vento corre mais fácil, minha filha!”
Vou me lembrar disso, pai.
Saudade.
Era comum a casa ficar cheia. Cheia de amigos queridos que vinham contribuir para imprimir em minha memória as delícias que tudo isso representava. Sons de conversas animadas, músicas, cheiros, ficaram para sempre.
E tem sido assim. Tenho tentado manter esse sabor até hoje. Minhas filhas cresceram celebrando o sábado. Em outra realidade, procurei marcar também- de outras maneiras, parecidas mas não iguais, dadas às circunstâncias - esse dia.
Raras vezes consegui garantir o pão fresco feito por mim mesma (embora seja uma delícia fazer pão. Eu sei e amo fazer, tá pessoal) mas o pão da Prado (confeitaria famosa e especial em minha cidade) era certo.
Havia torta de banana, rosca da Prado (parece redundância mas não é! A confeitaria Prado fabrica a “rosca da Prado”), pão de cebola com patê de atum, suco de laranja. Nos meses mais frios, chocolate quente (esse sim, sempre, feito por mim), bolo de cenoura (receita da, desde sempre, Rose, daqui de casa), enfim! Embora o trabalho me consumisse sem chance de tirar folga às sextas para o feitio do pão e do bolo, as outras coisas eram mantidas. Gente compartilhando, sons de conversas, muita música no ar...
Hoje estamos vivendo outra fase. As meninas já não estão em casa conosco. Circunstancialmente há alguém querido com a gente (como é o caso agora de ter a delícia de estar com meu cunhado, irmã e sobrinho em casa – embora tenha sido apenas de passagem- já estão de malas prontas para casa deles de novo... snifth), mas já nos acostumamos com a idéia de que, de agora em diante, seremos sempre nós dois.
E nada de lamentações, ou lamúrias...
O sábado é oportunidade de redescoberta. Reinvenção. Recomeço. Apostar no nunca vivido.
O sábado é oportunidade de redescoberta. Reinvenção. Recomeço. Apostar no nunca vivido.
E é com esse espírito que mostro as fotos da aventura que foi passar o sábado em Pucón.
De manhã, o calor delicioso dos da mesma fé.
"Que Dios los bendiga, queridos hermanos".
A tarde, passeio para curtir a vista do dia que estava incrível.
Escultura de um Cristo todo em madeira (um tronco único de árvore - grande obra de arte!), como que velando e abençoando a cidade do alto.
Subida ao vulcão Villarrica (fomos apenas até onde o carro podia chegar),
e para finalizar, me despeço de você,(em 3 diferentes grafias, para não ter como não entender..), nesse dia que para mim é tão especial, enviando o meu afetuoso e sincero:
שַׁבָּת שָׁלוֹם
Shabbat shalom
Feliz sábado!
Acho que fui a primeira a ler!!!!
ResponderExcluirMinha Kheila "Lispector" Favorita!!!
Te amo mãe!!!
Acho que você tem me vigiado! Acabei de postar!! kkk
ResponderExcluirQue delícia receber seu elogio, filha querida. Os sábados foram muito significativos para mim durante sua infância, vc sabe disso.
Tenha um lindo e feliz dia.
Te amo muito também (acho que dá pra perceber).
*Kheila Linpector, eu?? Ai, ai!
Kheila: Feliz sábado prá vc. também!!!!!Que lembranças lindas dos seus pais, marcantes.
ResponderExcluirE tenho um segredinho prá te contar, guardei na minha memória um sábado q passamos juntas no IASP q foi bem diferente de todos os outros... O sábado das maçãs, outro dia, contando a história para os meus filhos, rimos muito... Vou te mandar por depo (off)...Que o sábado, dia sagrado, seja mais q especial p vc.!!!!! Grande beijo no coração
Lia, estamos já deitados, meu marido e eu,notebook no colo lendo a lição, e quando li isso que vc escreveu, foi delicioso.
ResponderExcluirFechou minhas memórias de hoje com chave de ouro!
É verdade amiga, tivemos muitas lembranças lindas lá no IASP. Sinto muita saudade.
E vc , amiga sempre presente, foi fundamental naquele período.
Um dia a gente vai sentar e relembrar tudo com riqueza de detalhes.
Bjs, amada.
Conseguiiiiiiiii.....rsrs....
ResponderExcluirAdorei... Tb voltei ao tempo! E é isso aí... Temos que passar todo esse gostinho de " O Sábado é um dia Feliz" para nossos filhos!
Que nosso bondoso Deus esteja sempre ao nosso lado (e nós ao lado dEle) nos concedendo sábados inesquecíveis durante toda a nossa existência! Bjus!
Ai, que alívio Chris! Que bom que conseguiu! Estava chateada com essa história de vc não estar conseguindo, afinal, vocÊ estará aqui no blog na próxima viagem, né amiga?
ResponderExcluir(...)
Os sábado precisam ser marcantes. Tem alguns que passamos juntas(me lembro bem de cada um), que são inesquecíveis para mim também. Tudo de bom!
Bsj
ADORANDO ACOMPANHAR SUAS LEMBRANÇAS E PARTICIPAR UM POUQUINHO DAS SUAS HISTÓRIAS... QUE FOTOS LINDAS, QUE LUGAR INCRÍVEL.. BEIJOS COM CARINHO E CONTINUE ESCREVENDO, POIS SEMPRE ACHO UM TEMPINHO PARA VIR FUÇAS AQUI.. ANDRESA
ResponderExcluirOi, Andresa.
ResponderExcluirFico muito feliz sempre que alguém tira algum tipo de proveito do que tenho escrito.
Obrigada por acompanhar.
Bjs
Que delícia as memórias do Sábado!!!
ResponderExcluirLu, você sabe...
ResponderExcluirDeliciosos são OS SÁBADOS...
As memórias vem de brinde.
BJs, querida.
Sexta a tarde aquela correria,organizar material de coral, colocar uma música de sábado (de preferência alta rsrsrs),esperar pela tão inspiradora história contada pelo patriarca da família, arrumar mesa de lanche com pão da prado, bolo de cenoura, pão de cebola com patê...reviver é viver.
ResponderExcluirAMO MUITO TUDO ISSO
Leiloca, AMAMOS MUITO TUDO ISSO!
ResponderExcluirDifícil é viver sem, mas a gente se reinventa...
Lembrou bem! Música (alta) o tempo todo.
Como esquecer?
Bjs