Essa noite eu tive um pesadelo.
Pesadelos são entidades sombrias, fétidas, asquerosas , que chegam sem pedir licença e roubam a tranquilidade daquela que deveria ser uma boa e reparadora noite de sono.
Eu aceito e admiro as incríveis descobertas que Freud fez com a publicação de A Interpretação dos Sonhos, dando um caráter científico ao assunto. Mas na prática (pelo menos na minha, nesse momento) a única coisa que realmente importava era me livrar daquela sensação de desamparo e angústia que eles causam.
Quando acordada no meio da noite, vem a dúvida : O que é melhor? Voltar a dormir e tentar a redenção apostando que sonhos bons darão lugar ao gosto amargo daquelas cenas? Ou, levantar e procurar o que fazer, a fim de exorcizar do consciente aquilo que insiste em vir à tona lá do fundo do inconsciente?
Não sei!
Tenho memórias de uma infância muito remota. Muito antes das cenas narradas (aqui).
Acho que eu tinha uns 5 anos. Morávamos em uma casa onde o quarto dos meus pais era no segundo piso. Acordava mo meio da noite assombrada com pesadelos que são comuns na infância. Aí, o caminho óbvio era subir a escada que dava acesso à eles, os super heróis que me dariam a solução para todos os problemas. Mas estava tudo tão escuro....Então, o jeito era gritar ao pé da escada:
“- Paiêêêêêêê....... Manhêêêêêêêêê!"
Logo em seguida eu podia avistar a figura de mamãe no alto da escada! Que alívio.
Com frequência, ela me levava de volta para minha cama e deitava comigo, esperando que eu pegasse no sonho.
-"Mas, pôxa mãe, eu quero mesmo é deitar na sua cama!
Lá há um cheiro especial. Lá nada nem ninguém poderá me atingir, (nem os monstros do insconsciente). Lá, no meio dos dois, sempre é o paraíso. Lá, há o calor que eu não sinto em minha própria cama. Lá, o barulho dos trovões das noites de tempestade não chegam. Aliás, lá, nada poderá atrapalhar meu sono. Quarto de pai e mãe (pelo menos deveria) é um quarto blindado do mal..."
E por vezes ela cedia, o que me deixava muito feliz!
E por vezes ela cedia, o que me deixava muito feliz!
Mas nem sempre....
Então, carinhosa como sempre foi, mamãe me levava para minha própria cama e me contava histórias de um lugar onde nada de ruim havia. Apenas lindas princesas, flores coloridas, pássaros no céus, e eu , personagem principal da cena , corria livre entre as borboletas!
Ao final me dizia:
-"Filha, pesadelos significam que amanhã será um dia especial. Sempre que temos um pesadelo é porque tudo acontecerá ao contrário!"
E eu sempre acreditava. Aliás, mamãe sempre tinha razão, não seria dessa vez que ela estaria errada!
(...)
O relógio da cabeceira marcava 3h:16 min. Suando e com a garganta seca, bebi um pouco de água.
Marido, sempre carinhoso, quando acorda e vê que algo incomoda o sonho, procura repetir as palavras mágicas da infância. Hoje ele não acordou. Estava tão cansado, coitado. Dia cheio o de ontem...
Mas não faz mal. Obrigo meus pensamentos a me levar há muitos anos atrás. Então, começo a correr nos campos verdes das histórias das princesas, brinco com as borboletas, sento com meu vestido branco esvoaçante ao lado do riacho de águas cristalinas e vejo os peixinhos que alegres, vem brincar comigo, tal qual nas aventuras das reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, em "NO REINO DAS ÁGUAS CLARAS".
Tal qual nessa linda tela impressionista de Claude Monet.
(Claude Monet, Le pont japonais)
Afinal,para quê se preocupar?
-"Os pesadelos significam que tudo acontecerá ao contrário amanhã, quando o dia raiar, você vai ver!"
É isso,não é mamãe? Então tá combinado!

Alguem mostra o que você escreve para sua mãe? Se não, deveria, tenho certeza que ela ficaria muito feliz...Mas consigo imaginar seu digníssimo lendo.. deve ficar muito babão..rsrs.. beijos e ótima semana... que o dia seja realmente incrível..
ResponderExcluirOi Dresa,
ResponderExcluirInternet é algo que mamãe ainda não domina..
Mas um dia vou conseguir atrair a atenção dela para o mundo virtual, ora se não vou...rs
BJs
Essa frase "livre com as borboletas"(devo dizer: brofoletas,rs...)eu conheço bem.
ResponderExcluirKheila, que esta noite seja bem "calminha", que os seus sonhos sejam equiparados aos da sua infância, sonhos bons... Saudades de quando sentia esse medo...Só pai e mãe eram capazes de amenizar, dormir entre os dois "um santo remédio"...rsrsrs Boa noite e feliz semana!!!!!!
ResponderExcluirrsrs todo filho é igual né? só muda de endereço...por que será que cama de pai e mãe é tão bom???
ResponderExcluirLu, cama de pai e mãe, nenhum cartão de crédito paga...Não tem preço!
ResponderExcluirSe pudesse,de vez em quando,ainda daria uma escapada e arrastaria o edredon e o travesseiro favorito pra lá , até hoje...kk
Eita, trem bão demais da conta, sô!
Verdade... Também gostava muito da cama dos meus...
ResponderExcluirLembro-me que nos dias que não acordava cedo para estudar, ao levantar só fazia mudar de cama...rsrs... Ia direto para a cama de meus pais! Êita saudade! Chris!