quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vulcão Osorno- Parte II

Fazia frio. O vento era gelado. 
Ainda bem que tínhamos levado moletons e fiz uso do meu capuz...
Além disso, andar em um teleférico era uma experiência pela qual eu já havia passado anteriormente e isso tinha sido traumático para mim. Da última vez em que me aventurei, não consegui chegar ao final da viagem. Fui socorrida para fazer a descida de carro. Vexame.
Outra vez, em um parque de diversões, segurei tão forte a barra da cadeirinha que fiquei com uma dor  muscular danada nos braços e músculos do pescoço, durante dias, tamanha tensão a qual me submeti.

As expectativas eram péssimas. Tremendo e cheia de inseguranças, me sentei na bendita cadeirinha . A danada é voluntariosa , já percebeu? Nunca espera por você.... tem o tempo dela! Se vai se submeter a uma dessas, fique em pé , na posição correta e quando ela vier, sente-se rapidamente, abaixe a barra que está sobre sua cabeça, coloque-a em frente a você, apoie os pés e boa viagem! (Boa viagem? Devem estar brincando comigo. Como alguém pode ter uma boa viagem naquela coisa? )
Bem, isso era o que eu pensava. 
Havia uma tremenda indisposição inicial de minha parte. Mas, assim mesmo eu fui...
Passados os primeiros momentos, lutando contra minha rigidez (em todos os sentidos,  física e das idéias pré-concebidas - que são aquelas certezas absolutas que se tem na vida e das quais temos orgulho de não abrir mão...), resolvi experimentar o novo!
-“Abra os olhos, sua boba. Respire fundo. Sinta o vento frio e calmo batendo no seu rosto. Repare o azul  margeando o horizonte sem fim... escute o som solene do silêncio. Aproveite o sentimento da proximidade geográfica  com Deus ( será que quem mora no alto tem vantagem em relação aos que estão ao nível do mar ?) e tente se achegar mais a Ele". Dizia de mim, para mim mesma.
Foi o que fiz!
Ao abrir os olhos - calma! Devagarzinho. Um de cada vez...
Que espetáculo! Que sensação mágica! Que visão indescritível!
Venci meus medos e uma nova fase começou na minha vida. (Os que convivem comigo perceberão isso na prática das novas "aventuras do cotidiano" que virão! Se bem que, agora que temos o blog, vocês também poderão acompanhar o que acontecerá por aí...)
Enfim.
Chegamos lá em cima!
O chão árido e cinza ( terreno vulcânico),

 Ia dando lugar a um enorme tapete de gelo branco.
Logo alí, o pico, cheio de charme, se exibia bem à nossa frente, com seu cume sempre coberto pela neve, como um artista acostumado aos flashes e à comoção pública!

E como agora eu havia percebido que poderia fazer muito mais, ir muito além, reeditar o que estava acostumada a pensar sobre mim mesma, resolvi me arriscar nisso também . O que será agora? Bingo! Acertou quem apostou que resolvemos subir para ainda mais perto do cume, pelo gelo!
Nosso amigo deu o primeiro passo. 
Quando percebemos, lá estava ele, bem à frente, caminhando bravamente para o  que chamei de “A conquista do gelo”.

Desafiadas, nós , as mulheres da equipe, resolvemos que subiríamos também!( tá pensando o que, colega?)

A caminhada é dura e cansativa. O gelo é muito escorregadio. Cansadas mas vitoriosas, enfim, chegamos à bandeira do Chile, no ponto mais alto que poderíamos chegar. Uhú!



Fotos tiradas, visão apreciada, vamos descer, minha gente?
Combinado. O teleférico nos aguarda ...
Pois bem. Aí entra de novo a minha amiga. Vocês acreditam que ela inventou que desceria de tirolesa?
Foi assim: na subida, quando compramos os tickets para o teleférico, havia a opção “com emoção” da descida. Pra variar, a  maluquinha decidiu que esta seria a singela forma de descer o Osorno.
Qual não foi minha surpresa, quando, aguardando o instrutor vestir nela o equipamento de segurança, meu marido resolveu insistir para irmos também.
Comequeé?? Tá louco, rapaz?
Ah, mas isso rendeeeeu! E como rendeu! Claro que, apoiada pelo homem da casa, minha amiga encontrou eco e começou a ladainha para que eu fosse com ela! E blá, blá, blá pra cá, e blá, blá, blá pra lá, como eu já havia “chutado o pau da barraca”, quebrado todos os meus limites de “moça ajuizada” (acho que o ar rarefeito fez mal para mim...), concordei. 

CON-COR-DEI?
Sério? Ai, gente! Help me, please!  O ar rarefeito definitivamente fez muito mal para mim...
E o instrutor começa a me travestir (se alguém aí precisar de fantasia de tãn-tãn, eu empresto minhas roupas).
Item 1- capacete à prova de pancada 
Item 2- Cintos potentes de segurança nas pernas e cintura.
Item 3- luvas nas mãos
Item 4- Ganchos de aço para prender o corpo ao cabo (também de aço)

Tá pouco ou quer mais?

E como sei que vocês estão curiosíssimos para me ver de uniforme de doida varrida, deliciem-se.
Mas falando super sério agora, eu AMEI! 
Depois do bloqueio inicial, corri para o abraço! 
A próxima cena é de uma outra mulher. Nada da neurótica ansiosa, com medo irracional de altura (ah, tá! Nem tão irracional assim , eu sei. Mas convenhamos, voar faz um beeem!)
Uma garota de 13 anos renasce, começa a "se achar", se solta toda e descobre a arte de se reinventar. 
E vâmo que vâmo... (depois desse trecho, tem mais três. São quatro trechos de descida)


Voar faz bem pra saúde, pode crer. Olha só o sorriso...


Parabéns para nós! Estou super orgulhosa da gente! Parabénsa também a todos os que, assim como nós quatro, se propõe a viver a vida usufruindo de toda a beleza, cor, sabor, alegria, generosidade, amor e encantamento que ela tem.

* Créditos especiais, a uma amiga especial, que me ensinou que é maravilhoso ser "maluquinha".

Por hoje chega de adrenalina, né pessoal? No próximo post tem Pucón! Cidade que oferece uma variedade de esportes e atividades ligadas ao ecoturismo, incluindo, trilhas, rafting, cachoeiras belíssimas e a escalada do Vulcão Villarrica. 

A gente se vê.




4 comentários:

  1. Adorei Kheila... enquanto lia, meus olhos encheram de lágrimas, de emoção... adorei, adorei, adorei.. é o que posso te dizer agora.. beijos.... Andresa

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  2. Andresa, querida! Que bom que gostou.
    E olha amiga, é isso e muito mais... tenho outras coisas para te contar (todas no esquema superação!)
    MAs isso é pessoalmente..rs
    Bjs

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  3. Tudo mto lindo e emocionante! Fiquei fã desse vulcão!rs...
    E... PARABÉNS pela coragem!!! Chris Sayegh

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  4. Quem me viu e quem me vê, né Chris!
    Aquela medrosa exagerada do skibunda em Hallstatt (lembra?).
    Minha filha, que venha um paraglider na próxima..rs
    Quem, viver, verá!
    BJs

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É muito bom receber seu recadinho, seu comentário...Eu sei que sua rotina é pesada, o tempo é curto, portanto, significa muito para mim saber que você dedicou algum tempo para me escrever, dar sua opinião, enfim.

Os recados são moderados e nem sempre estou on line. Se demorar não se assuste! Com certeza vou publicá-lo.
Mais uma vez, muito obrigada!

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