Fazia frio. O vento era gelado.
Ainda bem que tínhamos levado moletons e fiz uso do meu capuz...
Além disso, andar em um teleférico era uma experiência pela qual eu já havia passado anteriormente e isso tinha sido traumático para mim. Da última vez em que me aventurei, não consegui chegar ao final da viagem. Fui socorrida para fazer a descida de carro. Vexame.
Outra vez, em um parque de diversões, segurei tão forte a barra da cadeirinha que fiquei com uma dor muscular danada nos braços e músculos do pescoço, durante dias, tamanha tensão a qual me submeti.
As expectativas eram péssimas. Tremendo e cheia de inseguranças, me sentei na bendita cadeirinha . A danada é voluntariosa , já percebeu? Nunca espera por você.... tem o tempo dela! Se vai se submeter a uma dessas, fique em pé , na posição correta e quando ela vier, sente-se rapidamente, abaixe a barra que está sobre sua cabeça, coloque-a em frente a você, apoie os pés e boa viagem! (Boa viagem? Devem estar brincando comigo. Como alguém pode ter uma boa viagem naquela coisa? )
Bem, isso era o que eu pensava.
Havia uma tremenda indisposição inicial de minha parte. Mas, assim mesmo eu fui...
Passados os primeiros momentos, lutando contra minha rigidez (em todos os sentidos, física e das idéias pré-concebidas - que são aquelas certezas absolutas que se tem na vida e das quais temos orgulho de não abrir mão...), resolvi experimentar o novo!
-“Abra os olhos, sua boba. Respire fundo. Sinta o vento frio e calmo batendo no seu rosto. Repare o azul margeando o horizonte sem fim... escute o som solene do silêncio. Aproveite o sentimento da proximidade geográfica com Deus ( será que quem mora no alto tem vantagem em relação aos que estão ao nível do mar ?) e tente se achegar mais a Ele". Dizia de mim, para mim mesma.
Foi o que fiz!
Ao abrir os olhos - calma! Devagarzinho. Um de cada vez...
Que espetáculo! Que sensação mágica! Que visão indescritível!
Venci meus medos e uma nova fase começou na minha vida. (Os que convivem comigo perceberão isso na prática das novas "aventuras do cotidiano" que virão! Se bem que, agora que temos o blog, vocês também poderão acompanhar o que acontecerá por aí...)
Enfim.
Chegamos lá em cima!
O chão árido e cinza ( terreno vulcânico),
Ia dando lugar a um enorme tapete de gelo branco.
Logo alí, o pico, cheio de charme, se exibia bem à nossa frente, com seu cume sempre coberto pela neve, como um artista acostumado aos flashes e à comoção pública!
E como agora eu havia percebido que poderia fazer muito mais, ir muito além, reeditar o que estava acostumada a pensar sobre mim mesma, resolvi me arriscar nisso também . O que será agora? Bingo! Acertou quem apostou que resolvemos subir para ainda mais perto do cume, pelo gelo!
Nosso amigo deu o primeiro passo.
Nosso amigo deu o primeiro passo.
Quando percebemos, lá estava ele, bem à frente, caminhando bravamente para o que chamei de “A conquista do gelo”.
Desafiadas, nós , as mulheres da equipe, resolvemos que subiríamos também!( tá pensando o que, colega?)
A caminhada é dura e cansativa. O gelo é muito escorregadio. Cansadas mas vitoriosas, enfim, chegamos à bandeira do Chile, no ponto mais alto que poderíamos chegar. Uhú!
Fotos tiradas, visão apreciada, vamos descer, minha gente?
Combinado. O teleférico nos aguarda ...
Pois bem. Aí entra de novo a minha amiga. Vocês acreditam que ela inventou que desceria de tirolesa?
Foi assim: na subida, quando compramos os tickets para o teleférico, havia a opção “com emoção” da descida. Pra variar, a maluquinha decidiu que esta seria a singela forma de descer o Osorno.
Qual não foi minha surpresa, quando, aguardando o instrutor vestir nela o equipamento de segurança, meu marido resolveu insistir para irmos também.
Comequeé?? Tá louco, rapaz?
Ah, mas isso rendeeeeu! E como rendeu! Claro que, apoiada pelo homem da casa, minha amiga encontrou eco e começou a ladainha para que eu fosse com ela! E blá, blá, blá pra cá, e blá, blá, blá pra lá, como eu já havia “chutado o pau da barraca”, quebrado todos os meus limites de “moça ajuizada” (acho que o ar rarefeito fez mal para mim...), concordei.
CON-COR-DEI?
Sério? Ai, gente! Help me, please! O ar rarefeito definitivamente fez muito mal para mim...
E o instrutor começa a me travestir (se alguém aí precisar de fantasia de tãn-tãn, eu empresto minhas roupas).
Item 1- capacete à prova de pancada
Item 2- Cintos potentes de segurança nas pernas e cintura.
Item 3- luvas nas mãos
Item 4- Ganchos de aço para prender o corpo ao cabo (também de aço)
Tá pouco ou quer mais?
E como sei que vocês estão curiosíssimos para me ver de uniforme de doida varrida, deliciem-se.
Mas falando super sério agora, eu AMEI!
Depois do bloqueio inicial, corri para o abraço!
A próxima cena é de uma outra mulher. Nada da neurótica ansiosa, com medo irracional de altura (ah, tá! Nem tão irracional assim , eu sei. Mas convenhamos, voar faz um beeem!)
Uma garota de 13 anos renasce, começa a "se achar", se solta toda e descobre a arte de se reinventar.
E vâmo que vâmo... (depois desse trecho, tem mais três. São quatro trechos de descida)
E vâmo que vâmo... (depois desse trecho, tem mais três. São quatro trechos de descida)
Voar faz bem pra saúde, pode crer. Olha só o sorriso...
Parabéns para nós! Estou super orgulhosa da gente! Parabénsa também a todos os que, assim como nós quatro, se propõe a viver a vida usufruindo de toda a beleza, cor, sabor, alegria, generosidade, amor e encantamento que ela tem.
* Créditos especiais, a uma amiga especial, que me ensinou que é maravilhoso ser "maluquinha".
Por hoje chega de adrenalina, né pessoal? No próximo post tem Pucón! Cidade que oferece uma variedade de esportes e atividades ligadas ao ecoturismo, incluindo, trilhas, rafting, cachoeiras belíssimas e a escalada do Vulcão Villarrica.
Por hoje chega de adrenalina, né pessoal? No próximo post tem Pucón! Cidade que oferece uma variedade de esportes e atividades ligadas ao ecoturismo, incluindo, trilhas, rafting, cachoeiras belíssimas e a escalada do Vulcão Villarrica.
A gente se vê.
Adorei Kheila... enquanto lia, meus olhos encheram de lágrimas, de emoção... adorei, adorei, adorei.. é o que posso te dizer agora.. beijos.... Andresa
ResponderExcluirAndresa, querida! Que bom que gostou.
ResponderExcluirE olha amiga, é isso e muito mais... tenho outras coisas para te contar (todas no esquema superação!)
MAs isso é pessoalmente..rs
Bjs
Tudo mto lindo e emocionante! Fiquei fã desse vulcão!rs...
ResponderExcluirE... PARABÉNS pela coragem!!! Chris Sayegh
Quem me viu e quem me vê, né Chris!
ResponderExcluirAquela medrosa exagerada do skibunda em Hallstatt (lembra?).
Minha filha, que venha um paraglider na próxima..rs
Quem, viver, verá!
BJs